Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo música

Trapézio — Ab-

(O amigo Felipe Zacchi lançou um álbum musical. Preparem-se!) Certa vez, voltando do show do Casa das Máquinas, eu comentei com o Zacchi que 'Cilindro Cônico', uma das músicas mais incríveis do Casa, era um nome muito bacana para banda. Aí ele ficou nessa de formas e chamou de Trapézio o projeto musical dele. Nem sei se foi por isso, mas eu vou dizer que sim. Trapézio esse que ele lançou finalmente. Sério, finalmente. [ Facebook ] [ Spotify ] Tem no Spotify, Deezer e iTunes! Achem lá. Ab- é um álbum complexo. Eu mesmo não entendo direito, não; o Zacchi diz que não há o que entender, é pra sentir. É mole? Mas ele tem razão. Eu não estou acostumado com músicas que eu chamo de tortas , estou acostumado com o Chrystian & Ralf, Raul Seixas. Tu pega um violão e sai cantando as coisas tudo. Ab- é um outro tipo de experiência musical. Dos mais interessantes. Não tem uma música que eu vou tocar no meu violão, mas não conseguiria jamais com meu violão recri...

Pobre paulista é o caralho!

Eu já tuitei sobre, mas sempre que ouço Ira! me incomodo. Terminei a Ira de Nasi , biografia do Marcos Valadão Nasi – ex-vocalista do Ira, comentarista esportivo e um cara aparente divertido. Sempre gostei muito do Ira! e comprei a biografia num dia que eu queria ter comprado a biografia do Lobão – não tinha, eu vi a do Nasi; achei uma boa ideia. O livro é bem simplão – achei muito confuso a escolha do Mauro Betting de misturar um pouco a linha do tempo – ora indo muito adiante, ora voltando demais. Também senti que faltou um pouco de habilidade em se aprofundar no rompimento da banda – lá pelo fim do livro, parece que o dono da pena estava com pressa de acabar. No mais é uma boa leitura – super rápida e que expõe os egos e personalidades de uma das bandas mais animais do nosso rock brasileiro, bem como todo o crescimento embrionário do rock na cidade de São Paulo – que sempre teve o estilo como seu bastião, uma vez que é cinza e terrível (=D). O título do arti...

That Was It - Michael Jackson Tributo

Creio que a arte seja uma determinada frequência que a criação de alguém vibra e ressoa no mesmo compasso que o do seu corpo. É o que o legado de Michael causa, basicamente. Volto breve do show Tributo This Is It , um show encenado no Teatro Bradesco, do shopping alagado Bourbon. Um show pretexto a ser a encenação do último show de Michael, o mesmo arranjo, as mesmas músicas, as mesmas coreografias. Eu estava descrente com a produção brasileira a alto custo (culpa da amiga que jurou de pé juntos que era a banda original do show com os mesmos bailarinos!) – pensando que veria uma imitação um pouco barata demais. Antes de começar, eu acreditava que a melhor escolha era ter uma banda tocando as músicas, os bailarinos fazendo os passos na frente, mas ninguém interpretando o Michael. É difícil demais essa ideia de alguém ali tentando de alguma forma ser ele. E foi exatamente isso que encontrei: um cover de Michael – mas engana-se, quem acha que não gostei, pois há brilhos giga...

Renascença Musical - Centro Cultural

Acabo de voltar de um recital de música renascentista – em especial o alaúde, aqui perto no Centro Cultural Vergueiro (delícia de lugar, pena que está em reformas). Num canto improvisado de uma biblioteca, armaram filas de cadeiras em estádio, um banquinho, algumas luzes e a mulher com seu alaúde – Fernanda Bertinato. Pra variar, é um assunto que eu não domino e não tenho o menor conhecimento (primeiro de música renascentista e, segundo, de música propriamente dita). Eu ponho isso, pois vou expor aqui de onde me vem esse gosto particular pela música renascentista – exoneração, pois a bem da verdade, nem sei se as músicas que me levaram à esse gosto são, de fato, renascentistas; são semelhantes e por isso comecei a gostar. Veio dos jogos, claro. Duas em particular, eram as músicas que no começo dos anos 2000, eu escutava à exaustão por conta de jogos: Tristram Song, por causa do primeiro Diablo e Stones, por conta de Ultima Online. Fora todo o restante do r...

Bon Jovi, um Show Inesquecível

Morumbi, 06 de outubro. Noite ligeiramente fria, sem nenhuma perspectiva de chuva. Perfeita para um grande show. Sobre o público ou sobre a Fresno ou sobre o Rock Nacional Só havia, talvez, cinco pessoas que durante uns quarenta minutos não compartilharam do clima gostoso da noite: a banda Fresno. Desde que foi anunciada, estava na cara que havia sido um erro, uma tremenda falha da organização. Posso abstrair que, talvez, tenha sido um absurdo otimismo em imaginar que pela incrível disparidade de gêneros musicais, a banda seria abraçada pelo público justamente pela diferença. Nem perto disso. A banda entrou sob vaias, foi vaiada a cada final de música – que a cada uma que terminava encurtava – viu dancinhas irônicas, dedos em riste, xingamentos, costas para o palco; a sensação de ‘vergonha alheia’ se espalhou pelos poucos que, ao final, aplaudiram a banda. Bem poucos. É uma certa burrice da organização não prever esse tipo de reação caipira do público. O público se acha mu...

Gunners

Showzasso do Guns, sinceramente. Claro que a fama do gordo de se atrasar até pra dar um barroso se repetiu nas horas que o público, até paciente, teve de esperar entre as entradas insossas e a canção-título do álbum mítico, Chinese Democracy. E o que dizer da fama de barraqueiro, então? Logo depois do primeiro refrão da música, tomou-lhe uma garrafada e parou o show ameaçando ir embora. E era só o que me faltava. Ele é esperto, a multidão vaiava minutos antes das luzes se apagarem, e logo nos dois primeiros minutos do show, Axl elege um inimigo na plateia e ameaça parar o show por sua causa – o resto do público, cai aos seus pés e ele pode continuar o show sem maiores perigos – pelo contrário, receberia, música a música, souvenirs, cartazes, sutiens e toda sorte de presentes arremessadas no palco. Sua voz não é a mesma, e ninguém, sinceramente, esperava isso – certa feita, ele se desculpa por não atingir a porra de suas notas altas, e quem liga? Viemos ver Rock N Roll ou um concerto...

De Volta à Terra do Nunca

Michael Jackson morre aos 50 anos. Véspera de iniciar uma grande turnê de retorno e ao mesmo tempo de despedida. Jackson é único. Sua história é quase uma ficção, de negro para branco, rosto artificial, comportamento infante e um gênio no que faz – e como a maioria dos grandes gênios, extremamente mau compreendido. Seu fascínio pelas crianças ou mesmo seu comportamento infantil, que lhe renderam dezenas de acusações de abuso, não seria talvez resultado de uma não-infância na qual se dedicava desde os seis anos de idade a ensaiar e a se apresentar com a família dos cinco Jackson ao invés de ir ao parque de diversão, por exemplo? A criação de um rancho chamado Neverland, a Terra do Nunca de Peter Pan, onde as crianças não crescem, não seriam um evidente sinal disso? Repetidamente colocado nos bancos dos réus, apontado como pedófilo e repetidamente absolvido de todas as acusações. Nem suas estranhas plásticas e sua dramática mudança de aparência conseguem se sobressair so...

Há de ser tudo da lei

A Virada cultural reservou para o fim-de-semana paulistano mais de 800 atrações polvilhados em muitos pontos da cidade, mas, de forma majoritária, distribuídas nas ruas do centro antigo – que só parece ficar bonito com as intervenções artísticas do evento. Bonito olhando para cima, as luzes, projeções, dançarinas voando, bandas tocando, pois se ousarmos dar uma olhadela pra baixo: sujeira, mijo, vômito e toda sorte de porcaria. O evento contou com um adendo de emoção nesta edição: o governo de São Paulo, inteligentíssimo, interditou a estação República, coração do palco rock e itinerário necessário para acessar ao menos 10 palcos com mais facilidade. Nem preciso dizer que a solução viária que eles encontraram foi um desastre. Mas esta não será uma sessão ‘eu também vou reclamar’, não. Vou falar de um lugar específico. Havia, certeza, entretenimento para todos os gostos, mas talvez não seja exagero notar que o palco mais honesto e alegre era aquele que homenageava Raul Seix...

Use The Cock ~ The Pick of Destiny

Pra quem gosta de rock, “Escola de Rock” de 2003 é um exemplar delicioso de referências e temas clássicos do gênero – capitaneado pelo não menos fenomenal Jack Black, que interpreta, claramente, ele mesmo no filme. Em busca da “ Palheta do Destino ”, de 2006, no entanto, Jack encarna J.B. (Jack Black?) ou Jables na voz do demônio, um incompreendido filho habitante de Kickapoo, amante de Rock e de Dio que sai pra vida com seu violão nas costas pronto pra montar a maior banda de rock de todos os tempos. Conhece Kyle Gass, um exímio tocador de violão, e então a saga da dupla se inicia. Ao descobrir o segredo o sucesso de bandas como Who, Van Halen, Black Sabbath e outros, a dupla se joga na estrada para conseguir esse artefato devasso: uma palheta feita com o dente do diabo ou simplesmente a Palheta do Destino. Uma aventura em meio a aventuras com groupies, um terrível desafio contra o diabo e jams criativas regadas à maconha – tudo em busca da masterpiece do Rock! A histór...

Lobão

Cinquenta anos a mil. Sempre vi Lobão de soslaio – o cara estranho de um LP antigo de casa (que mais tarde, descobri ser o Sob o Sol de Parador ), o lateral esquerdo do Saca Rolha , o mediador contundente do Debate MTV . Pouquíssimo contato realmente substancial. Sentindo uma falta brutal de rock’n’roll brasileiro (bandas que tocam um som pesado, umas guitarras legais, umas letras bacanas), fui atrás de referencial novo e já tocado (Casa das Máquinas meu eterno predileto) – estava endiabrado de como o rock parecia ter se apequenado pras bandas de cá ou se tornado imbecis (e nem digo colorido, pois para né). Um hobbie que eu tenho de vez em sempre é eleger uma banda, ir atrás de sua discografia completa e ouvir álbum por álbum – foi assim com o Journey (que eu já gostava), Pink Floyd (idem), Iron Maiden (ibidem) e comecei a ir atrás de brasileiros de guitarra na mão. Primeiro, Legião. Porto-seguro, por que eu já conhecia quase tudo e já gostava, mas não era bem isso qu...

Sinfonia dos Anéis

Era noite fria no centro de São Paulo. Ali atravessando o minhocão que separa Higienópolis e a cracolândia, logo menos da Pça. Mal. de Deodoro, um teatro belíssimo – opa, corrigindo: Theatro. Fui com alguns comparsas a’O Theatro São Pedro assistir a sinfonia que atende pelo nome de Senhor dos Anéis. E quando você lê Senhor dos Anéis, não há possibilidades de não se tratar da trilogia épica (é épica, sim senhor!) escrita por John Ronald Reuel Tolkien no começo do século XX e publicado em 1957. Não preciso dizer o quanto este mâitre cesariano é louco pela obra, preciso? Não preciso dizer que li três vezes cada livro que compõe o mundo da Terra-Média (inclua aí, não somente a trilogia, como também a bíblia-Silmarillion e o divertido Hobbit). Nem precisaria mencionar que este mundo e todas suas histórias compõem uma das mitologias mais ricas já escritas pelo homem, ou que Tolkien é uma das mentes mais brilhantes do século passado? Não, melhor não mencionar estas minhas opiniões. Vão a...