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Mostrando postagens com o rótulo teatro

Phantom na Broadway

Não entendo nada de teatro, de musical, de música, de cenografia ou o escambau. Mas tenho algumas opiniões da minha primeira vez na Broadway, hehe. Antes de mais nada: adorei. Foi lindo ver o Fantasma na Broadway! Vamos ao profundo. O Majestic, teatro do Fantasma na Broadway, é fofo e aconchegante, com detalhes que remetem demais a própria Opera Populaire em que se passa a história.  Mas tem dois problemas que podem ser complicados, principalmente para uma primeira vez: os lugares que chamam de Orchestra, debaixo da marquise não tem visão do lustre. Do lustre! Outro problema: o som das vozes é baixo em muitos momentos. =/ Para o público das frisas, mezanino e, claro, os debaixo do lustre, a visão deve ser magnífica; mas o som deve ser ótimo só para quem está bem perto mesmo. E não parece ser um problema do sistema de som, pois a voz do Fantasma ressoa muito bem quando precisa pelo sistema de som. Parece ser uma escolha estética mesmo para que tenhamos a imp...

O Fantasma da Ópera (2018 — Teatro Renault)

Lindíssimo. O musical chegou de volta e está lindo. Vi no dia 11 de Agosto, sessão das 16h, com Thiago Arancam de Fantasma e Giulia Nadruz como Christine (alternante). Fico chocado como todos são inacreditavelmente afinados em todas as músicas ao mesmo tempo que deixam a emoção influenciar a canção em diversas vezes. Sério, eu num manjo nada de música, mas eu fico realmente admirado e muito impressionado com a capacidade vocal desses atores de musical. É incrível. Consegui pegar um lugar bem perto pela primeira vez no Renault e é fabuloso poder ver os detalhes dos figurinos, dos cenários e principalmente a expressão facial do elenco. A montagem é linda. Do que eu lembro da versão de 2004, me parece que o cenário tem elementos maiores (como o camarim com espelho da Christine, a escada do carnaval). Os efeitos pirotécnicos são fortes e o lustre um charme à parte do primeiro ato. Sua queda me parece bem mais intensa que aquela de 2004 (mas pode ser a memória e o lugar, haha)....

Jesus Cristo Super Star

Jesus Cristo. Super Star. Inevitável não sair cantando o mantrinha final desse musical curioso pra dizer o mínimo. Junte os últimos dias de Cristo (sim, aquele da bíblia) sob o ponto de vista de Judas traidor e adicione a tudo isso um rock setentista quase farofento e delicioso. E não é à toa que o rock setentista gira nos calcanhares a Via Crucis nesse musical, afinal a montagem data de 73 do gênio da Broadway Andrew Lloyd Webber (cujo ápice está na máscara do Fantasma). É verdade, claro que a montagem passou por seus momentos de protestos da igreja - tão comuns até hoje nos Estados Unidos. Quarenta anos depois, o musical estreou no Brasil e a nossa classe cristã não desapontou - montou protesto em frente ao Instituto Tomie Ohtake . Quarenta anos depois. Menos sobre essa tontice e mais sobre a arte - a união de um rock prazeroso, como é o dos anos 70, aos trágicos dias de Jesus parecem combinar muito mais com a rebeldia de Judas do que à pieguice de Cristo - e não...

Nosferatu: o teatro do vampiro

O conde Orlok e sua vítima indefesa emergem no chão batido do SESC Consolação. A história clássica do vampiro terrível obcecado por essa dama, indefesa e atormentada pela besta fera que a tenta e caça na escuridão da noite. Noite essa tão bem caída no espaço escuro e opressor que sentamos diante de um balé de luzes de vela e frases delirantes de uma mulher em desespero.  Somos enclausurados em um espaço escuro, preto, sem qualquer iluminação artificial (sério, não há) e o primeiro movimento da fera - sob uma luz fraquíssima de vela abafada, é esbaforir uma nuvem de fumaça inodora com a ajuda de uma espécie de turíbulo por todo local, subjugando sua dama, a cenografia e todo o público nessa névoa claustrofóbica. A iluminação é um concerto à parte - apenas velas. O fogo das velas que os personagens tão bem controlam a certa hora de apagá-los, acendê-los ou movimentá-los - e como é forte a cena em que a dama saindo detrás de uma parede opaca faz o fogo de sua vela se espar...

O movimento sensorial

Sobre Kinema – Grupo Sensus O Grupo Sensus, pelo qual já declarei meu amor confesso em outro texto, retorna ao círculo das artes cênicas com seu novo espetáculo: Kinema. E ‘Kinema’ deriva de cinética (movimento). Tudo torna-se magicamente suspeito e inesperado quando entramos lentamente na tenda, vendados e guiados por um contador de histórias. Pisamos em ovos, pois cada passo é cuidadoso e cheio de medo do tropeço. Um visitante qualquer talvez tenha uma visão bastante concreta do que há naquela tenda ao olhar, e não duvido que tudo seja muito simples. Mas sem a visão, tão determinante no julgamento que temos de tudo, qualquer coisa pode ser qualquer coisa, principalmente apoiada nas histórias contadas – que vai de Da Vinci a Nyx, de Neruda a Caronte, o barqueiro do inferno. Cada pessoa torna-se despida de seus pudores sem poder ver; não sabe conter o sorriso idiota, a caminhada vacilante, as caretas sinceras, os julgamentos mais honestos de todos somente na expressão ...

Toltchok, laranja madura e mecânica

Texto de 2010 Livre adaptação do clássico Laranja Mecânica, Toltchok é parido como um exercício cênico na Praça Roosevelt. Mas isso é papinho modesto. Tudo bem, o grupo é um punhado de estudantes de um curso do Satyros e que, para brindar e provar que algo valeu das aulas, encenaram a referida obra de Burgess. É como se fosse uma apresentação de final de ano da escola, com o perdão da má provocação. Mas mesmo assim, é modéstia achar-se um mero exercício cênico diante da força da história e, pasmei, a qualidade da peça. Falo assim, pois acompanhei, senão de muito perto a preparação de alguns personagens, ao menos colhi suas impressões de muito antes à estreia, e a expectativa era de aplaudir AO MENOS a coragem de aparecer, pois a sensação era de que a peça seria um fiasco senegalês. Mas não estou aqui para expor esses pormenores de pré-produção, não é mesmo? De uma forma geral, o resultado é assustadoramente superior às expectativas criadas – talvez criadas propositalme...

Grupo Sensus

Muitas obras, peças, músicas, livros, quadros e afins me encantam profundamente e pelos quais tenho, não somente respeito, mas uma admiração muito grande. O Grupo Sensus atende a todas estas minhas expectativas artísticas e ainda as transcende, pois não me permite apenas contemplar sua arte, mas me transporta para participar e estar, literalmente, dentro da experiência – dentro do palco, fosse um teatro, dentro da música, fosse uma canção, no meio das páginas, no caso de um livro. Algo assim. ‘Sensus’ remete à sensações e as suas ‘performances sensoriais’ já percorreram algumas cidades pelo Brasil sempre recebendo elogios diversos à essa experiência única. Posso falar principalmente de duas performances do grupo: Sensorial e Horizontal. O modelo é o mesmo: você entra na sala, eles te vendam, a música soa e você é transportado aos mundos de Borges, autores fantásticos, textos originais, outros de atores da própria performance. A narração ao pé do ouvido e a estimulação dos cinco se...

O Rio - Melo Neto

Eu que não sou dado à poesia, já avisei mil vezes. Não me venha cantar poesia pro meu canto, eu não entendo, e tem prosa boa demais pelo mundo pra eu ficar horas e horas decifrando verso por verso – caraio. Você gosta, ótimo. Lê ali pro outro lado. Ontem, benquisto domingo, fui à UNESP, faculdade intelectual aqui de sampa ver a adaptação do poema O Rio, de João Cabral de Melo Neto, cabra que conheço só de nome. Uma adaptação malemá dita como um mero exercício para o curso corrente dos moços balangandãs e das minas tchantchantchans. Porra, animal! Me jogou na cara duas coisas: como eu sou fraco pra poesia, e como existem leituras milhares entre um verso e outro, interpretações, visões, figuras, que eu mesmo não me dou ao trabalho de ficar pensando. Mas agradeço a Jesus, aquele senhor no botequim da vida, a ter dado criatividade pra essa galerinha empolgada a fazer uma leitura muito criativa em cima de um poema quiçá longo demais pra eu investir meu tempo (mordi a vo...

Kerouac

A peça relâmpago “Kerouac” trouxe os últimos dias do ‘rei dos beats’ (que uso só por provocação a seu espírito), para o palco do Centro Cultural São Paulo – Vergueiro. Encarnado e muito bem encarnado por Mário Bortolotto. Peça ligeira, ágil, louca, dura pouco mais (ou menos, não lembro bem) de uma hora de duração. Pena. Só tem Mário no palco como Jack, mas ele somente já enche a cena com sua interpretação empolgante, empolgada e viva; traz à história algumas memórias, que pouco importam se reais ou não, mas que habitam o universo dos livros do autor, e alguns personagens como Ginsberg, Burroughs e o seu grande amigo Neal Cassady (o famigerado Dean Moriarty em On the Road). Sempre em sua cabeça. Em seus xingamentos.  Ambientado no quarto da casa onde mora com a mãe doente, Jack (arrastando uma das pernas) se rememora e sofre atormentado pelo passado e pela condição estelar do momento em que se encontra – fãs tocando sua campainha, entrevistas, envio de originais, alguns...