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Jesus Cristo Super Star

Jesus Cristo. Super Star. Inevitável não sair cantando o mantrinha final desse musical curioso pra dizer o mínimo. Junte os últimos dias de Cristo (sim, aquele da bíblia) sob o ponto de vista de Judas traidor e adicione a tudo isso um rock setentista quase farofento e delicioso. E não é à toa que o rock setentista gira nos calcanhares a Via Crucis nesse musical, afinal a montagem data de 73 do gênio da Broadway Andrew Lloyd Webber (cujo ápice está na máscara do Fantasma). É verdade, claro que a montagem passou por seus momentos de protestos da igreja - tão comuns até hoje nos Estados Unidos. Quarenta anos depois, o musical estreou no Brasil e a nossa classe cristã não desapontou - montou protesto em frente ao Instituto Tomie Ohtake . Quarenta anos depois. Menos sobre essa tontice e mais sobre a arte - a união de um rock prazeroso, como é o dos anos 70, aos trágicos dias de Jesus parecem combinar muito mais com a rebeldia de Judas do que à pieguice de Cristo - e não...

Dandelion

A última estocada e o gozo. Outras tantas poucas só de raiva e fermata. Retorna do mundo físico e senta na cama - obliterado. As pernas esticadas, dormentes - uma curiosa sensação de quase paralisia, onde se tem plena convicção do movimento das pernas, mas não as ativa por teimosia. Crê que não as domina, por puro galanteio. O ar da respiração prolonga, o sorriso de canto se aninha. Julgariam depressão, pois longe disso. Olha pela janela, olha longe da janela, mal olha pra fora da janela. Ela tenta se enrodilhar, mas não consegue. Ele nada faz, nada fez - ela tenta, mas fica cada vez mais difícil, mais alto, antigravitacional, metamorfo. Perde o peso num átimo de suspiro e flutua lentamente, os membros todos soltos no ar, o cérebro obliterado de suas funções motoras, desligado e o corpo ganhando altura bem de pouquinho. Experimenta um tapinha na cama com a ponta dos pés quase imperceptível e se encolhe todo na parede branca que de impulso faz o corpo mergulhar no canto superio...

Planos Culturais da Semana ~ 4/3/14

Ideia rápida. Todo mês eu sento e fecho um pacote de programas culturais pra fazer em São Paulo que cobrem o mês ou até mais - e do qual eu não faço nem 5%, se for pegar o dado duro. Uma pena. A ideia agora é simplesmente compartilhar toda semana qual é a programação com dois objetivos: compartilhar, de repente alguém vai (já que eu dificilmente vou) ou até mesmo me forçar a fazer algo pra ir. Eita ferro de preguiça. Nessa semana, temos: Exposição Paisagens Subterrâneas ~ SESC Vila Mariana , semana toda. Exposição vai pela semana toda e eu achei curioso essa foto - marquei pra ir dar uma olhada só por isso. Mais informação na página oficial . Filme O Iluminado ~ CineSesc , semana toda às 21h. Confesso que conheço apenas a cena clássica do Nicholson na porta, mas nunca vi a película completa. E vê-lo no cinema (aliás, qualquer filme no cinema) é sempre mais interessante. Enquanto eu não tenho meu próprio cinema. Fora que o CineSesc é todo simpático e o preço...

Hobbit ~ A Desolação de Smaug

Texto paixão sobre Hobbit 2 - A Desolação de Smaug - não leia se não tiver visto Quando anunciaram que Hobbit seria feito em três partes - eu me entusiasmei pelo fato de ter mais daquele mundo incrível nas telas e principalmente pela possibilidade dessa trilogia cobrir todos os detalhes e acontecimentos possíveis do livro - que mesmo curto, acontecem bastante coisa. Essa segunda parte, aliás, cobre a passagem dos heróis anões e o protagonista Bilbo atrás de Erebor e nessa projeção eles encontram diversos problemas em Mirkwood com os Elfos da Floresta, Esgaroth na Cidade do Lago até, finalmente, chegarem ao encontro do terrível Dragão Smaug. O filme é de uma aventura fascinante na maior parte do tempo, de uma construção de mundo maravilhosa - pra variar a Terra-média está incrível no cinema, e parece que sempre será assim se tiver a batuta de Jackson. Bilbo revela-se um personagem finalmente delicioso nesse filme - de extremamente inseguro a um ladino de primeira mão aqui,...

O Segundo Jogos Vorazes - Em Chamas!

Lembro de ter visto o primeiro filme de cara lavada, sem ter a menor ideia do que se tratava - e saí muitíssimo empolgado com aquele futuro distópico apresentado. Tinha um não raro abismo social entre sua capital e os demais 12 distritos (já muito visto em mil outros filmes), mas que também introduzia uma distância visual entre essas duas classes muito criativa e curiosa. Pois saí desse segundo ainda muito chocado com a qualidade dessa série e este texto será longo. Se considerarmos a atual constante importância da moda em nossa sociedade (vestir a marca da galera, usar os gadgets que todos usam, gostar do tênis de marca, ter o cabelo das estrelas de novela) é tragicômico notar a que ponto uma sociedade como a do filme direcionada por esses valores consegue chegar  (cujo passado não me parece muito distante da nossa) - e o figurino ridículo e extravagante da capital Panem nesses Jogos Vorazes é um genuíno efeito dessa urgência em parecer único  e ao me...

Machado, Capitu e Dom Casmurro

Não li Dom Casmurro para o vestibular - o que parece uma certa falha, dada a quantidade de perguntas relacionadas a isso. Pela primeira vez sentei o dedo e os olhos nas páginas da história de Bentinho e Capitu - da infância aos enterros (todos eles). Eu já sabia que Machado é um gigante de nossa literatura por ter lido apenas Memórias Póstumas e incorporar toda a admiração coletiva que existe nesse nosso monstro. Com toda razão - aliás, penso que talvez até falte mais menções ao homem por que sua literatura é algo absolutamente único e riquíssimo. Eu digo, sem conhecer muito, que Machado é quem melhor trata e transa nossa língua portuguesa - que a mim melhor mostra a capacidade narrativa e sonora que a nossa língua pode atingir (ainda que eu implique com seus 'cousas', 'dous', 'doudos' e afins...). Pois bem, Capitu. Não sei a sinopse de Dom Casmurro, mas se me perguntassem eu diria que é a sobre vida de Bentinho, menino à adultice. E Capitu é a vida d...

Kung Fu Kid! (ou Karate Kid)

Esse texto é sobre o novíssimo Karate Kid. Lembro de quando o filme estreou e como lamentei ter perdido a chance de vê-lo no cinema: pura preguiça. Pois eis que a Netflix , essa linda, lançou o título no catálogo e pude assistí-lo na madrugada de sexta - o filme é a refilmagem do crássico Karate Kid de 84, com Ralph Macchio, senhor Miyagui, pintura de carro e golpe da garça. Clássico. Filme divertidíssimo e extremamente gostoso de assistir sempre que passa. Mas não sou desses fanáticos puristas, portanto quando anunciaram a refilmagem com Jackie Chan, na hora achei foda pra caralho: porra, Jackie Chan é bondimai! A história é a que segue: Dre Parker (filho do Will Smith) precisa se mudar de Detroit para a China, por que sua mãe fora transferida no trabalho. Já na China ele sofre com abusos das crianças da escola que frequentemente espancam ele no bom e velho Kung Fu (e você aí reclamando de chiclete na cadeira quando pequeno). Senhor Han (Chan) é o zelador de onde Dre mora ...