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Mostrando postagens com o rótulo resenha de teatro

Phantom na Broadway

Não entendo nada de teatro, de musical, de música, de cenografia ou o escambau. Mas tenho algumas opiniões da minha primeira vez na Broadway, hehe. Antes de mais nada: adorei. Foi lindo ver o Fantasma na Broadway! Vamos ao profundo. O Majestic, teatro do Fantasma na Broadway, é fofo e aconchegante, com detalhes que remetem demais a própria Opera Populaire em que se passa a história.  Mas tem dois problemas que podem ser complicados, principalmente para uma primeira vez: os lugares que chamam de Orchestra, debaixo da marquise não tem visão do lustre. Do lustre! Outro problema: o som das vozes é baixo em muitos momentos. =/ Para o público das frisas, mezanino e, claro, os debaixo do lustre, a visão deve ser magnífica; mas o som deve ser ótimo só para quem está bem perto mesmo. E não parece ser um problema do sistema de som, pois a voz do Fantasma ressoa muito bem quando precisa pelo sistema de som. Parece ser uma escolha estética mesmo para que tenhamos a imp...

Jesus Cristo Super Star

Jesus Cristo. Super Star. Inevitável não sair cantando o mantrinha final desse musical curioso pra dizer o mínimo. Junte os últimos dias de Cristo (sim, aquele da bíblia) sob o ponto de vista de Judas traidor e adicione a tudo isso um rock setentista quase farofento e delicioso. E não é à toa que o rock setentista gira nos calcanhares a Via Crucis nesse musical, afinal a montagem data de 73 do gênio da Broadway Andrew Lloyd Webber (cujo ápice está na máscara do Fantasma). É verdade, claro que a montagem passou por seus momentos de protestos da igreja - tão comuns até hoje nos Estados Unidos. Quarenta anos depois, o musical estreou no Brasil e a nossa classe cristã não desapontou - montou protesto em frente ao Instituto Tomie Ohtake . Quarenta anos depois. Menos sobre essa tontice e mais sobre a arte - a união de um rock prazeroso, como é o dos anos 70, aos trágicos dias de Jesus parecem combinar muito mais com a rebeldia de Judas do que à pieguice de Cristo - e não...

Nosferatu: o teatro do vampiro

O conde Orlok e sua vítima indefesa emergem no chão batido do SESC Consolação. A história clássica do vampiro terrível obcecado por essa dama, indefesa e atormentada pela besta fera que a tenta e caça na escuridão da noite. Noite essa tão bem caída no espaço escuro e opressor que sentamos diante de um balé de luzes de vela e frases delirantes de uma mulher em desespero.  Somos enclausurados em um espaço escuro, preto, sem qualquer iluminação artificial (sério, não há) e o primeiro movimento da fera - sob uma luz fraquíssima de vela abafada, é esbaforir uma nuvem de fumaça inodora com a ajuda de uma espécie de turíbulo por todo local, subjugando sua dama, a cenografia e todo o público nessa névoa claustrofóbica. A iluminação é um concerto à parte - apenas velas. O fogo das velas que os personagens tão bem controlam a certa hora de apagá-los, acendê-los ou movimentá-los - e como é forte a cena em que a dama saindo detrás de uma parede opaca faz o fogo de sua vela se espar...

Kerouac

A peça relâmpago “Kerouac” trouxe os últimos dias do ‘rei dos beats’ (que uso só por provocação a seu espírito), para o palco do Centro Cultural São Paulo – Vergueiro. Encarnado e muito bem encarnado por Mário Bortolotto. Peça ligeira, ágil, louca, dura pouco mais (ou menos, não lembro bem) de uma hora de duração. Pena. Só tem Mário no palco como Jack, mas ele somente já enche a cena com sua interpretação empolgante, empolgada e viva; traz à história algumas memórias, que pouco importam se reais ou não, mas que habitam o universo dos livros do autor, e alguns personagens como Ginsberg, Burroughs e o seu grande amigo Neal Cassady (o famigerado Dean Moriarty em On the Road). Sempre em sua cabeça. Em seus xingamentos.  Ambientado no quarto da casa onde mora com a mãe doente, Jack (arrastando uma das pernas) se rememora e sofre atormentado pelo passado e pela condição estelar do momento em que se encontra – fãs tocando sua campainha, entrevistas, envio de originais, alguns...