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Onze Anos Depois: Voltei

Depois de onze anos (aproximadamente), sinto que finalmente voltei a ler livros.

Eu costumava dizer que Em Busca do Tempo Perdido, do Proust, me traumatizou ao ponto de eu nunca mais ler direito.

Antes disso, eu lia muito. Pelo menos para os meus próprios padrões, estava sempre com um livro, uma página tosca fazendo anotações. Lia no ônibus, nas paradas de ônibus, às vezes na rua, parava em Centros Culturais ou cafés para ler, interrompia alguns almoços pra dar uma olhada e até perdia a hora de sono enquanto lia alguma coisa.

Depois do Proust, nunca mais. E colocava a culpa no Proust.

Onze anos depois, percebo que não foi só culpa do francês. A verdade é que eu gastei onze anos da minha vida lendo o Twitter. E isso ocupou minha mente mais do que deveria, assim como talvez tenha alimentado a vontade de ler que habitava em minha mente. Até então eu a saciava com livros, a partir ali de 2011, sinto que alimentei essa vontade com micro-textos pretensiosos na rede.

Uma tragédia.

Eu sei, há uma centena de pessoas que consegue conciliar as duas coisas: o vício nas redes sociais e os livros. Hoje olhando pra trás, vejo que não consegui. Nesse meio tempo eu até li uma coisa ou outra, mas sempre muito esparso, sempre muito específico.

Mas agora que eu terminei o primeiro volume da série Duna (e adorei demais!) eu finalmente sinto que voltei a ler com o gosto que eu tinha há mais de onze anos. Então realmente sinto que voltei a ler.

Feliz.

Entre os vários benefícios ao meu bem-estar, ter abandonado as redes-sociais, realmente me trouxe esse que eu nem esperava que voltasse com essa... facilidade.

Lendo meu último texto sobre Proust, quase dou risada, pois me sinto um viajante do futuro voltando no passado para dizer ao Bruno mais novo e pretensioso: sim, talvez você não estivesse realmente preparado para o livro. Assim como vários que eu li quando era mais jovem. 

Hoje mais velho, me sinto tentado a reler várias coisas que li sem a percepção de vida que tenho hoje. Mas esse é um dilema eterno meu: ler histórias novas ou reler histórias novamente.

O que é importa é que eu voltei a gostar de ler.


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