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Mostrando postagens com o rótulo contos de amor

Protego

Ali na cama, o suco de nosso sexo escorria de minha mão para suas costas e a vice-versa; esfregava-lhe a fronte dos ombros com força, abraçava-a com quentura e terna adoração. A ebulição de sua pele e o cheiro de ‘te-quero’ do seu pescoço eram, naquele momento particular, o mais delicioso veneno que eu poderia provar enquanto escorria na serpente de sua coluna. As curvas do corpo, estas esquinas delicadas de seu rosto, o jeito empinado que o queixo se jogava à frente de seu pescoço carnudo. O colo maravilhoso, levemente salpicado de algumas pérolinhas de suor, todas danadinhas; sou amante do suspense, minha mão como o olho que vê o filme, apenas se insinua no delicado vale entre seus seios e então sobe em seu ombro onde faz a curva para seu braço leve e esguio – as unhas, no final destes braços, estão pintadas de um rosa apetitoso. É inevitável não se deixar levar pelo rebolado de sua bunda, como posso deixar de tocá-la se sua própria mão repousava gentilmente em suas nádegas? N...

A Sereia Sueca

Há poucos metros, silenciosa. Daquelas que você jura que pode, a qualquer momento, puxar uma faca ou aquela arma banal e assaltar de homicida metade do andar. Mas aí você repara que metade do andar poderia fazer isso. Aí você se dá conta (e pior, reprime) que você mesmo poderia fazer isso. Era esta a remetente e destinatária de cartas minhas nos últimos seis meses. Mas eu não sabia. Arrasado, faz apenas dois dias que me dei conta. Ela, pobre coitada, não faz idéia. Aquela de textos delicados ou não, aquela de bom humor – talvez completamente diferente da realidade. Não houve tempo suficiente para acertar como era; se loura, morena, ruiva, se 50 ou 15 anos, se realmente mulher. Era passear de bruxa a lolita em semanas; como era? Leitora forçada de minha própria vil publicidade literária confessou apenas não ser delicada. Duvidei. E então, de assalto, ela está no seu andar – no meu, no caso. Quiçá trocamos palavras sem notar. Mas ela não sabe. Eis o segredo. Ela não ...

Curou-se naquela noite

Nervosismo, gastrite doendo, mãos frias de suor e o elevador vazio. Chequei o papel envelhecido; há quanto tempo mesmo tinha marcado aquela consulta? Não me lembrava. Era segundo; segundo andar. O vidro, curioso levemente côncavo, distorcia minha imagem de forma sutil, mas terrivelmente perceptível como se gozasse de mim. O apito soou, lento demais afinal para apenas dois lances de concreto. Ao sair, deparei-me com um local muito semelhante ao saguão de entrada: cadeiras cuidadosamente esfarrapadas e as paredes terrivelmente sujas, embora uma análise mais próxima, revelasse que as infiltrações que escorriam e as coloriam de verde-musgo não passavam de uma bela pintura em afresco. A segunda mão de tinta descascando era obra de um exímio pintor que, sob a luz, emulava um efeito tridimensional perfeito. Corri o olhar pelo corredor e pessoas mil sentavam ali esperando serem chamadas. Todas, sem exceção, com o mesmo macacão surrado de cor azul assim como eu. Sentei-me em um...