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Wild Wild Country (2018) + Searching for Sheela (2021)

Um guru indiano atrai seguidores fiéis para seus ensinamentos e juntos eles buscam criar uma cidade perfeita no coração dos Estados Unidos. E é perseguido às últimas consequências pelos cohabitantes.

Que história fascinante.

Pelo tanto de questões abordadas.

De cara, parece mais um caso de fanatismo religioso onde milhares de pessoas ocas encontram em um homem barbudo a solução para o vazio que os come por dentro. E assim entregam sua vida e suas finanças todas pelo sonho desse homem barbudo.

Mas então não é só sobre isso.

Uma história de fanatismo religioso, mas também de profunda intolerância, racismo e xenofobia americana. E é fascinante que, num primeiro momento, os velhos brancos americanos se vêem acuados frente à força incrível que os coloca contra a parede. EXATAMENTE como devem se sentir todos os povos minoritários frente à estrutura racista e branca da América. É bem curioso ver os velhos brancos em uma posição que eles mesmos costumam colocar qualquer um que não seja branco ou cristão. A ironia treme.

A história é boa porque não é simples do bem contra o mal. Dos progressistas contra os reacionários.

Pois a seita religiosa que se instala na cidade, embora sem dúvidas tenha gerado uma sociedade que viva muito mais feliz do que qualquer outra coisa, é governada por mentes absolutamente totalitárias e paranoicas, incorporadas na figura poderosíssima da Sheela e nos ensinamentos completamente insossos e simples de um homem barbudo, Bagwhan, à que todos veneram como à um homem belíssimo e virtuoso, embora o documentário não demonstre absolutamente nenhuma atitude dele que justifique essa idolatria. É tudo por conta de suas palavras que, embora pareçam realmente um tanto progressistas para a época, parece muito pouco para justificar tamanho fanatismo (como o é com todos os grandes fanatismos).

Mas além do fanatismo cego e a intolerância enorme, existe também um terceiro aspecto que achei curioso. Embora eu seja completamente contra fanatismo, seitas, cultos e essa idolatria cega de qualquer ícone; é bem interessante como as pessoas que fazem parte do culto parecem mesmo serem pessoas boas (como o advogado de Baghwan) e outros muitos exemplos.

Mesmo Sheela, perdida na sua megalomania, passa o resto de sua vida cuidando de idosos com algum tipo de desvio neurológico como demência, Alzheimer e etc. Eu achei interessante que embora Baghwan e Sheela pareçam abomináveis, as pessoas que 'aprenderam' de seus ensinamentos realmente pareciam muito mais propensos ao bem do que as pessoas que os caçavam no Oregon.

Excelente documentário. História fascinante do comportamento humano.

Uau.



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