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Delivery da Sobrevivência: Philomena

O homem que vive sozinho não pode viver somente de sanduíche de atum, não é verdade?

Um dos maiores clássicos do fim da noite é a pizza. A pizza do nosso senhor. A pizza dos italianos berrantes, da massa e do molho pomodoro. E ela não falta no cardápio - cardápio vasto, aliás.

Eu tenho uma lei que rege o seguinte: se você não conhece a pizzaria e quer saber se ela boa - peça a moçarela. Por que o queijo e o molho pomodoro juntos é tão simples e incrível que se uma pizzaria erra nesse simples, ela jamais vai acertar em combinação alguma.

Pois bem, quarta chuvosa pede uma pizza (sem mencionar, é óbvio, a falta de atum, miojos, congelados, víveres não preparados e etc). Inicio aqui, portanto uma rodada de análise superficial de uma série de pizzas de moçarela de diversos lugares da nossa amada Vila Mariana. A ver.

Dessa vez, solicitei à pizzaria Philomena - bom nome, acho antiquado o uso do pê agá, mas dá pra superar. Preço justo, 24 dilmas, tempo de entrega aceitável. Ei-la (favor desconsiderar o catálogo de A Chapa):


Sinto falta daquela embalagem clássica da pizza - redonda, com um papel vagabundo e branco por cima (ainda há em Sorocaba) que deixava saltar com força o aroma e o vapor da pizza - aquela mesma que vinha com uma mesinha - sensacional. Essa não. Lacrada. Segura, mas sem o mesmo elã de antes - atenção que isso não é específico de Philomena, mas uma tendência chata de alguns anos já de muitas pizzarias da cidade.

Pois bem, passado o primeiro contato (que ajuda a dar aquela enlouquecida na fome), confesso que a falta desses elementos sensoriais me fizeram pensar: ô saudade da mesinha.

Mas ei que a moçarela é linda.


Fala sério. Eu sei que você aí de casa é cheio das frescuras, gosta de pizza gourmet, com alcachofras, folhas e absurdos, mas nada pode com isso. Me remete à imagens que formaram o meu arcabouço cultural da pizza: aquelas tartarugas ninjas comendo no esgoto. E era por aí (ou como eu gosto de lembrar).

Ótima cor, o tempero dá aquela salpicada no bronzeado do queijo (bem como as sardas em ruivas muito branquinhas) e os tomates negros funcionam perfeitamente - gosto de notar onde o queijo costuma queimar mais que nos outros pontos criando essa ilusão de ferro fundido feito lava de pura delícia.

Aí o teste preliminar: 


Se a sua pizza é cheia de sabores, eu aceito que a fatia morra na sua mão e peça urgente pelo garfo e faca burguês - mas se estamos falando de moçarela, é dever do chef certificar-se de que ela vai manter-se inteiriça na mão de seu predador. Philomena matou a pau!

Ótima pizza, preço barato, não é uma senhora moçarela que te faz subir pelas paredes, mas pelo preço é honestíssima - consistência boa, queijo na medida, massa fina pra te dar mais espaço pro que realmente na pizza de moçarela: a moça.

Que delícia de moça. Veremos as próximas.

Bruno Portella

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