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Cadê o hóme?!

Texto resgatado: Sobre O Terceiro Homem de Graham Greene.

Harry convida Rollo para ir à Viena, tem algo para ele. São amigos de infância, cabras safados, de escola, partícipes das mesmas travessuras; ‘o velho Lime nunca mudara’. Rollo (ou Holly no original) não pensa duas vezes e parte. Ao chegar no Hotel de Harry, já em Viena, Rollo descobre que o amigo está morto, atropelado por um carro – dali ao velório é um pulo, e do velório ao desfecho dessa história são páginas e páginas e mais páginas.

O cenário, propício, é a Viena pós-Guerra no ápice de um inverno rigoroso e de uma rigorosa divisão governamental entre 4 países ocupantes: Inglaterra, França, EUA e Rússia e, portanto, excetuando americanos e ingleses, mal entendendo uns aos outros – como vê-se em diversas passagens confusas da história. Viena não é somente uma ótima escolha por sua divisão e seu inverno rigoroso, mas também por submergir o leitor em um ambiente completamente corrupto por suas necessidades de sobrevivência.


A narrativa inteira é feita pelo Detetive Colloway (não, não é Callagham), a quem Rollo segreda a história por completo num futuro impreciso. Um acaso atrás de ocaso, Martins encontra diversos contatos de seu falecido amigo e, montando o painel de sua morte com cada uma dessas peças e situações novas, começa a desconfiar da real condição de Harry e de seu suspeito falecimento.

O livro é ágil e curto (li na versão pocket da L&PM, também disponível aqui para download). A narrativa de Colloway é gostosa de acompanhar, ele traça o panorama da história sob o ponto de vista de Harry e sobre o seu próprio ponto de vista. Pra quem lê, é como se tivéssemos todo o controle da situação, mas de uma forma tão humana e, de certa forma, falha, que essa narrativa não tira o interesse nas revelações mais tardias do livro.

Graham Greene escreveu ‘O Terceiro Homem’ originalmente como um argumento para filme (que chegou a ser rodado por Carol Reed, com Orson Welles e Joseph Cotten – filme que verei e, óbvio, sandubarei para o blogue).

É um bom livro para ler se você procura esvaziar a mente com algo rápido e sem muita sucção da matéria cinzenta – o que, de forma alguma, o faz ser um livro bobo e menor dentro da literatura.

Fica a dica.

Bruno Portella

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