Nervosismo, gastrite doendo, mãos frias de suor e o elevador vazio. Chequei o papel envelhecido; há quanto tempo mesmo tinha marcado aquela consulta? Não me lembrava. Era segundo; segundo andar. O vidro, curioso levemente côncavo, distorcia minha imagem de forma sutil, mas terrivelmente perceptível como se gozasse de mim. O apito soou, lento demais afinal para apenas dois lances de concreto. Ao sair, deparei-me com um local muito semelhante ao saguão de entrada: cadeiras cuidadosamente esfarrapadas e as paredes terrivelmente sujas, embora uma análise mais próxima, revelasse que as infiltrações que escorriam e as coloriam de verde-musgo não passavam de uma bela pintura em afresco. A segunda mão de tinta descascando era obra de um exímio pintor que, sob a luz, emulava um efeito tridimensional perfeito. Corri o olhar pelo corredor e pessoas mil sentavam ali esperando serem chamadas. Todas, sem exceção, com o mesmo macacão surrado de cor azul assim como eu. Sentei-me em um...