A última estocada e o gozo. Outras tantas poucas só de raiva e fermata. Retorna do mundo físico e senta na cama - obliterado. As pernas esticadas, dormentes - uma curiosa sensação de quase paralisia, onde se tem plena convicção do movimento das pernas, mas não as ativa por teimosia. Crê que não as domina, por puro galanteio. O ar da respiração prolonga, o sorriso de canto se aninha. Julgariam depressão, pois longe disso. Olha pela janela, olha longe da janela, mal olha pra fora da janela. Ela tenta se enrodilhar, mas não consegue. Ele nada faz, nada fez - ela tenta, mas fica cada vez mais difícil, mais alto, antigravitacional, metamorfo. Perde o peso num átimo de suspiro e flutua lentamente, os membros todos soltos no ar, o cérebro obliterado de suas funções motoras, desligado e o corpo ganhando altura bem de pouquinho. Experimenta um tapinha na cama com a ponta dos pés quase imperceptível e se encolhe todo na parede branca que de impulso faz o corpo mergulhar no canto superio...